Pipoca 1. Ia assistir “Operação Valquíria” mas desisti na porta do cinema. Troquei-o meio às cegas por um outro que tinha a sinopse empobrecida, mas 5 indicações ao Oscar: “O Leitor” foi uma bela surpresa no meu fim de semana – bem dolorido por uma faringite.

 

Dirigido por Stephen Daldry (o mesmo de As Horas), o romance é baseado na obra de Bernhard Schlink lançada em 1995. O longa mostra-se simultaneamente doce e implacável: de um lado as experiências e descobertas amorosas de um menino de 15 anos com uma mulher mais velha e, do outro, a dura realidade do Holocausto. De forma individual e coletiva, o sentimento de culpa é destrinchado ao longo da trama, instigando o espectador a imaginar qual seria a sua escolha diante dos fatos. Me surpreendi enormemente com a interpretação de Kate Winslet, precisa e madura – esqueçam Titanic, pelo amor de Deus. Não seria injusto dar o Oscar à ela, mas a pobrezinha concorre com Meryl Streep em “A Dúvida” (próximo da minha lista). Páreo duro.

 

 

 

Pipoca 2. Assisti também “Última Parada – 174”, do Bruno Barreto. Esperava um pouco mais do filme que, embora baseado em tristes fatos reais, pareceu reduzir demais a vida de Sandro a um estereótipo, quase caricato – o menino delinquente vítima da sociedade. Já tinha acompanhado Ônibus 174, documentário do caso. Confesso, não terminei de assisti-lo por um mal-estar agoniante das imagens reais do sequestro. ..

 

Pensando. Coincidência interessante, em ambos os filmes os protagonistas não sabiam ler e lidavam de forma difícil com essa condição, que teve papel decisivo nas narrativas. Inusitado como mundos e histórias tão distantes podem se cruzar. Mais que isso: é incrível não percebermos a importância da leitura, muitas vezes já automatizada em nossas vidas. Quer entender mais? Dê uma espiadinha nesse texto do Paulo Freire sobre a importância de se saber ler…

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