Feriado. Passei o feriado fora, curtindo uma vida “casa térrea” ao invés de uma vida “apartamento”. O sol de ontem estava gostoso e eu aproveitei para dar um banho de mangueira na Morgana, uma vira-lata mistura de pastor-alemão – forte, patas grandes, carinhosa até não poder mais. Banho tomado e agradecido com uma lambida, amarrei-a à uma corrente na laje, em um dos cômodos da obra no segundo andar, ainda inacabada. Fim do dia, fui dormir depois da Tela Quente. Três horas da manhã, acordo com o choro e o latido da bichinha. Estranhei, ela estava acostumada a ficar lá sem problemas. Acontece que o tempo virou, chovia muito e a fazia frio. Morgana acordou a casa inteira, mas ninguém se moveu. “Ela já pára, vai cansar de latir”, ouvi.

Não tinha jeito de eu dormir. O latido cessou e quando todo mundo já tinha pego no sono, eu continuava lá, pensando nela. De repente, chorou de novo. Não tive dúvida: peguei o casaco, desci da beliche no escuro e saí na chuva. Arrastei a porta maciça (pesada!) e os tijolos que seguravam a entrada do cômodo. Olhei bem pra ela e disse “Você me ajuda e eu te ajudo” – tive medo que sua força me derrubasse da escada íngreme. Desamarrei a corrente enferrujada, desci com ela até o coberto. Dei comida, água e ela dormiu, dentro da casinha.

Epifania. Entrei no banheiro pra lavar minhas mãos sujas de terra, ferrugem e cheias de pequenos cortes que ganhei segurando a corrente. Me deu um estalo. Chorei de pensar que passo todos os meus dias querendo que as pessoas salvem o Planeta enquanto a grande maioria parece não querer salvar nem o próprio cachorro. Nojenta arrogância humana. Há muito a ser feito.

Por falar nisso. Nesse 22 de abril, Dia da Terra, o Greenpeace lançou um vídeo convidando cada cidadão do planeta a se tornar um ativista pelo clima, para alcançarmos a meta de 3 milhões de pessoas mobilizadas por essa causa. Saiba mais em www.greenpeace.org/me2

E assista o vídeo aqui:

Esse mundo frágil precisa de uma voz: a sua.

 

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