Brochura. Essa mania de andar por aí com qualquer roupa, de qualquer jeito, me colocou em uma situação surrealista hoje. Calça de algodão clara, camiseta azul, all-star amarelado e uma mochila e-nor-me nas costas. Foi assim que entrei no shopping, procurando saciar um rompante de vaidade feminina: eu precisava ir ao cabeleireiro. Fazer as unhas, cortar a franja (por Deus, eu não estava enxergando mais nada!), bom, coisas simples.

Capa-dura. Qual não foi minha surpresa quando entrei no salão e a recepcionista me mediu de cima abaixo. Pensei comigo “Minha filha, eu não preciso fazer pose pra ser digna”. Enfim. Questionei se aceitavam cheques: sei que cheque é algo pouquíssimo aceito hoje, mas fazer o que, era a forma de pagamento que eu tinha à mão. A fulana engasgou: “Aceitamos… Mas na verdade, só para clientes mais antigos”. Traduzindo: “Pra você não.”. Eu, brasileira que não desiste nunca, insisti: “Mas eu sou cliente, venho sempre aqui…” Checou no sistema, meu nome estava lá. “Então Danielle, como você não gasta valores altos, eu não tenho como autorizar…” Oi? Quem é que gasta valores altos com manicure? Se é um serviço que usualmente não custa mais que 30 reais, eu não poderia ter valores altos ali. Enfim, desisti. Agradeci, virei as costas e fui ao salão ao lado, que me deu uma negativa bem mais simpática. Tão simpática que fui em casa, peguei dinheiro vivo e voltei para um corte muito bem feito e uma cabeleireira que dava dicas de turismo.

Surpresas. Julgar um livro pela capa é um erro comum dos humanos que fica ridiculamente exposto em ocasiões como essa. Pior é pensar que em uma escala macro, isso pode ter um valor muito além do orgulho nosso de cada dia: pode ser sinônimo de opressão. Por sinal, me fez lembrar uma certa senhora, que vocês já devem ter visto por aí. Se não, vale dar uma olhadinha. Com vocês, Susan Boyle:

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