O gás do petróleo. Hoje você abasteceu o seu carro em um posto Shell e achou que estava tudo bem. Pense de novo. Você sabia que desde os anos 70 a Shell mantém, na Nigéria – mais especificamente no Delta do Níger – uma prática conhecida como “queima de gás” (gas flaring)? Essa prática, realizada em larga escala no continente africano, consiste na separação do gás para a obtenção de petróleo. A atividade causa danos irreparáveis ao meio ambiente, além de colaborar com emissões de gases do efeito estufa para a atmosfera. No mundo todo, cerca de 150 milhões de metros cúbicos de gás são desperdiçados dessa forma – desses, 40 milhões vêm da África. Dados do Banco Mundial apontam que, se aproveitadas, essas reservas poderiam suprir metade do gás utilizado em todos os EUA em um ano e reduziriam em 13% as emissões mundiais de CO2.

O petróleo produzido na Nigéria dá origem a 2,2 milhões de dólares por dia. Nessas mesmas 24 horas, a maior parte dos nigerianos ganha menos de um dólar para sobreviver.

 

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A areia do petróleo. Enquanto isso, no Canadá, o ouro negro também causa estragos sem precedentes. Embaixo da floresta boreal, em Alberta, fica a segunda maior reserva de petróleo do mundo, nas areias conhecidas como Tar Sands. Lá o petróleo também precisa ser separado: conhecido como betume, a mistura escura de areia e petróleo é retirada das encostas e processada dia e noite para fazer nascer o líquido negro, contaminando a água com compostos químicos, desmatando a floresta boreal e impactando a saúde de moradores da região. A extensão do problema é em tal escala que só mesmo uma visão aérea para se ter noção do estrago. E foi isso que o Greenpeace Canadá fez: produziu um documentário chamado Petropolis, denunciando essa exploração que também colabora vergonhosamente com o aquecimento global, gerando cinco vezes mais emissões do que a extração comum de petróleo.

 

O joio do trigo. Esse ano, a Shell vai a julgamento. Não bastassem os danos ao meio ambiente, pesam em suas costas acusações graves contra os Direitos Humanos na Nigéria: homicídios e conspiração com o governo ditatorial na perseguição de ativistas comunitários que se opunham às atividades na região. Você pode dar o seu apoio à causa por meio da campanha Shell Guilty, promovida pela Ong Amigos da Terra.

 

Há algo também a se fazer pelas Tar Sands. A Tar Sands Watch pede assinaturas para cobrar do governo canadense uma moratória da exploração das areias de Alberta. O Greenpeace Canadá também tem a sua página, pedindo ao governo que assuma o compromisso de reduzir suas emissões durante a COP 15, reunião sobre clima que será realizada em dezembro, em Copenhague. Para isso, a paralisação dessas atividades é essencial. 

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